ENRIC FUCHO ABOGADO ESPECIALISTA SEGURIDAD PRIVADA
Enric Fucho y asociados. Gabinete jurídico y de investigación

Seguridad y protección Nuestros expertos, con más de 20 años de experiencia en el sector de la seguridad, le asesorarán sobre todas aquellas cuestiones relacionadas tanto con la seguridad de su empresa como con su seguridad personal. MAS DE 14 AÑOS DEFENDIENDO EN LOS TRIBUNALES A LOS VIGILANTES DE SEGURIDAD CON PLENO DE VICTORIAS EN LOS JUICIOS

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Vida de vigilante

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Vida de vigilante

Mensaje por josepmarti el Lun 29 Feb 2016, 22:10

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A maioria de pessoas, maldizentes, pensam que o vigilante é um velho obeso e preguiçoso, que fica horas sentado numa cadeira a dormir...Ou que é um analfabeto.

Na verdade existem milhares de vigilantes que são jovens, em boa forma física, com 12º ano de escolaridade e cursos diversos, o vigilante tem formações todos os anos.
A cada 5 anos tem que renovar cartão do M.A.I.

Também se julga que o salário de vigilante é enorme...O que é incorrecto.
Há uns dez anos atrás se fizéssemos horas extras poderíamos ganhar bom dinheiro, 900 ou 1000 euros.
Hoje fazendo a mesma quantidade de horas, ganhamos 670 ou 700 euros.

Muitas empresas já nem pagam horas extras, colocam um colega que tenha horas a menos a fazer esses dias que são necessários, se houver um vigilante que faz férias as horas serão feitas por ele.

Horas nocturnas, após descontos no salário, quase nem se notam, um indivíduo faz doze horas por turno, várias noites, e ao fim do mês aufere um salário de 670 euros, torna-se cada vez menos motivante.

Existem estudos comprovados que trabalhar por turnos desgasta o organismo e contribui para o envelhecimento cerebral precoce, nervosismo, problemas digestivos.

A grande maioria de clientes querem poupar dinheiro e colocam apenas um vigilante nas portarias (ou recepções) em vez de dois vigilantes.
Assim um vigilante sozinho trabalha a triplicar, atende telefonemas, dezenas de pessoas que se dirigem a ele, dá informações, recebe encomendas, faz controle de acessos, observa as câmeras, entre mais diversas coisas, está constantemente sob níveis de stress elevados.
Mal tem tempo para ir ao wc ou almoçar.

O Vigilante não tem estabelecido no horário nenhuma hora para almoço , a empresa não envia nenhum vigilante propositadamente para render o outro colega por uma hora, ao almoço, assim o vigilante tem que almoçar à pressa na portaria/ recepção, constantemente interrompido por pessoas, telefonemas, viaturas.

Isto acontece em centenas de postos de trabalho.

Durante a noite, esse mesmo vigilante sozinho, terá que estar exposto a qualquer risco (risco de assalto ás instalações, agressões, ou ser alvejado).
Se telefonar ás autoridades, estas por vezes chegam ao local meia hora ou quarenta minutos depois.

Caso o vigilante de noite, passe mal, ou desmaie, ninguém estará por perto para reparar ou ajudar nessa situação.

Ainda acham que a vida de vigilante é fácil?

Quanto à vida social, muitas vezes o vigilante tem folgas quando ninguém mais tem, fica sozinho nas folgas.
Trabalha Natais, feriados e Anos-Novos.



Dificuldades ao entrar na Profissão:

Antigamente haviam poucas empresas de vigilância, e geralmente davam formação ao vigilante.
Recordo-me quando entrei na profissão no ano 2000, a empresa deu-me formação e fardamento.

Hoje em dia existem centenas de empresas, algumas não dão formação (optam por contratar vigilantes já com cartão, desempregados, nesse aspecto é positivo), porém ao contratarem vigilantes já possuidores de cartão M.A.I evitam custos e problemas, mas por outro lado cobram "caução de fardamento" de 150 euros ou mais.
Algumas empresas reles, obrigam o vigilante a deslocar-se 500 km até à cidade onde a empresa tem Sede para buscar fardamento e ainda cobram os referidos 150 euros (ou mais).

Outras empresas, caso o vigilante não possua cartão M.A.I, recomendam-lhe que vá tirar um curso numa empresa de formação, existem cursos que custam mais de trezentos euros, depende da empresa. Algumas cobram 600 euros pela formação.

Nos dias de hoje, o vigilante quase que paga para trabalhar.

O posto de trabalho nunca está assegurado.

Existem contratos, por exemplo, de três anos com um cliente, se após três anos a empresa perder o concurso surge outra empresa para assumir aquele posto de trabalho. Nem sempre eles ficam com os mesmos vigilantes, alguns poderão ser dispensados.

Os que quiserem permanecer no posto de trabalho, são muitas vezes, obrigados a rescindir contrato com a empresa anterior e assinar um novo contrato com a empresa nova, perdendo ANTIGUIDADE, Anos de trabalho e todas as mais valias, começando do ZERO.

Além disso a cada 5 anos terá que fazer vários dias de formação, para renovar cartão M.A.I e pagar do seu próprio bolso as deslocações e despesas.
Quando o vigilante é de longe, por exemplo do Algarve e desloca-se a Lisboa para a sede da empresa, os custos em deslocações, portagens, alojamento de algumas noites numa pensão e refeições, pode ascender aos 240 euros, mais 20 euros para o cartão M.A.I, e 5 euros do registo criminal.

Mais uma vez se constata, praticamente o vigilante paga para poder trabalhar.

SEMPRE FISCALIZADOS.

Além de trabalharem doze horas por dia (ou mais) sob constante stress, muitas vezes sem tempo de ir ao wc ou comer uma sandes, trabalhando por dois, os vigilante ainda são sempre sujeitos a fiscalizações por parte da PSP, arriscando-se a perder dinheiro com coimas.

Veja AQUI .



Comer refeições à pressa:


A maioria de vigilantes tem que almoçar ou jantar no local de trabalho (ou comer uma sandes à pressa), se estiver sozinho. Isso causa problemas digestivos, stress ou úlceras nervosas.
Pois a empresa não irá enviar um homem propositadamente para render o colega durante uma hora, de refeição.

Isso será legal?

Um trabalhador não pode trabalhar mais de 5 ou 6 horas de seguida sem fazer uma pausa, seja por que motivos for (almoçar, jantar, casa de banho, fumar, beber água, lanchar, esticar as pernas, etc.).

O artigo 197 do Código do Trabalho em vigor, aprovado pela Lei 7/2009 de 12 Fevereiro, na sua redacção actual diz que se consideram tempo de trabalho:

1. a interrupção de trabalho considerada em contrato colectivo de trabalho (quando aplicável) ou em regulamento interno de empresa (normas internas) ou o que seja prática na empresa;
2. a interrupção ocasional para satisfação de necessidades pessoais inadiáveis do trabalhador;
3. o intervalo para refeição em que o trabalhador tenha de permanecer no espaço habitual de trabalho ou próximo dele.

O artigo 203 do mesmo Código diz que:

1. o período normal de trabalho não pode exceder oito horas por dia e quarenta horas por semana;
2. o período normal de trabalho diário de trabalhador que preste trabalho EXCLUSIVAMENTE em dias de descanso semanal da generalidade dos trabalhadores da empresa pode ser aumentado até quatro horas diárias (a não ser que um contrato colectivo de trabalho diga coisas diferentes).

O artigo 213 do mesmo Código diz que:

1. O período de trabalho diário deve ser interrompido por um intervalo de descanso, de duração entre 1h a 2h, de modo que o trabalhador não preste mais de 5h de trabalho consecutivo.
2. Caso esteja abrangido por um contrato colectivo de trabalho, o trabalhador poderá prestar até 6h de trabalho consecutivo e o intervalo de descanso pode ser alterado, bem como poderá haver outros intervalos de descanso.



Categorias de Vigilantes:


VIG: Vigilante

SPR: Segurança Porteiro

Apa-A: Assistente de Portos e Aeroportos (segurança aeroportuária)

Apa-P: Assistente de Portos e Aeroportos (segurança portuária)

ARD: Assistente de recinto Desportivo

ARE: Assistente de recinto de espectáculos.

VTV: Vigilante de transporte de Valores.

VPAP: Vigilante de protecção e acompanhamento pessoal.

FETP: Fiscal de exploração de transportes públicos (o pica bilhetes).


Para cada uma dessas categorias o segurança terá que ter uma formação diferente, e o respectivo cartão.
Por exemplo um vigilante num Porto terá que ter a formação base (para obter cartão MAI) e em seguida uma segunda formação para segurança Portuária e respectivo cartão de segurança portuária Apa-P.



DICAS:

Sindicalize-se, é uma forma de estar informado regularmente acerca dos seus direitos, obter apoio judicial, entre mais.
Qualquer queixa poderá apresentar no ACT (Autoridade para as Condições do Trabalho).
Ou ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.
Veja Aqui dica como apresentar uma queixa.


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